{"id":5668,"date":"2013-01-03T10:21:25","date_gmt":"2013-01-03T12:21:25","guid":{"rendered":"http:\/\/fabiomedinaosorio.com.br\/iiede\/index.php\/2013\/01\/03\/juizes-nao-devem-suprir-lacunas-de-acusadores\/"},"modified":"2013-01-03T10:21:25","modified_gmt":"2013-01-03T12:21:25","slug":"juizes-nao-devem-suprir-lacunas-de-acusadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iiede.com.br\/index.php\/2013\/01\/03\/juizes-nao-devem-suprir-lacunas-de-acusadores\/","title":{"rendered":"Ju\u00edzes n\u00e3o devem suprir lacunas de acusadores"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O julgamento da A\u00e7\u00e3o Penal 470 ainda ser\u00e1 motivo de muitas reflex\u00f5es, inclusive no \u00e2mbito da teoria do Direito e da sociologia dos tribunais. Cabe ao Judici\u00e1rio escutar as \u201cvozes da rua\u201d para decretar a responsabilidade penal de algu\u00e9m? Se este for um dos reflexos do julgamento do mensal\u00e3o, penso que se trata de um reflexo negativo. Nenhum julgador pode invocar a opini\u00e3o p\u00fablica como balizador de suas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exposi\u00e7\u00e3o do STF em seu canal de TV e do pr\u00f3prio julgamento pode ser considerada um avan\u00e7o da nossa democracia, em termos de transpar\u00eancia e controle externo. Mas tal exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode servir como press\u00e3o contra a consci\u00eancia dos julgadores. Por isso mesmo suas garantias constitucionais e institucionais s\u00e3o t\u00e3o relevantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma garantia maior, que \u00e9 a independ\u00eancia intelectual, decorrente do not\u00f3rio conhecimento jur\u00eddico de cada um dos ministros do STF. Quem tem not\u00f3rio saber e cultura suficiente para estar na Corte n\u00e3o pode sentir-se pressionado pela opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro t\u00f3pico relevante que deve suscitar debates diz respeito ao papel do Judici\u00e1rio e do Minist\u00e9rio P\u00fablico nos processos penais. Os ju\u00edzes n\u00e3o devem suprir as falhas dos acusadores ou dos investigadores. O \u00f4nus da prova cabe a quem acusa, sendo necess\u00e1rio exigir efici\u00eancia investigativa e acusat\u00f3ria das institui\u00e7\u00f5es de Estado. Se os ju\u00edzes suprirem falhas do MP ou das pol\u00edcias teremos um grave retrocesso no estado democr\u00e1tico de direito, com perda de imparcialidade dos julgadores e desequil\u00edbrio de for\u00e7as nos processos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A garantia de imparcialidade dos ju\u00edzes, relacionada \u00e0 presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia dos acusados, exige que as institui\u00e7\u00f5es trabalhem adequadamente, em busca de elementos que embasem responsabilidades penais. Se fosse assim, as institui\u00e7\u00f5es fiscalizadoras poderiam ser ineficientes, porque ju\u00edzes com olhar acusat\u00f3rio certamente supririam suas deforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 que ponto, no julgamento da A\u00e7\u00e3o Penal 470, o MP falhou e o Judici\u00e1rio supriu suas falhas? Esta \u00e9 uma pergunta crucial, que merece ser esmiu\u00e7ada t\u00e3o logo se publiquem os votos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, esse julgamento, num caso concreto, deve influenciar a jurisprud\u00eancia criminal do Brasil? Se pensarmos que o STF \u00e9 o topo da pir\u00e2mide em mat\u00e9ria de direitos fundamentais no pa\u00eds, certamente devemos concluir que o julgamento fixa novos paradigmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rigor, os crit\u00e9rios, os par\u00e2metros ali estabelecidos, valeriam apenas para aqueles r\u00e9us? Ora, a racionalidade dos tribunais repousa, em grande medida, nos valores da isonomia e da seguran\u00e7a jur\u00eddica. As teorias da Justi\u00e7a, por mais diversas que sejam, n\u00e3o abdicam destes valores essenciais ao bom funcionamento do Judici\u00e1rio, que se insere no sistema de divis\u00e3o de Poderes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 O julgamento da A\u00e7\u00e3o Penal 470 ainda ser\u00e1 motivo de muitas reflex\u00f5es, inclusive no \u00e2mbito da teoria do Direito e da sociologia dos tribunais. Cabe ao Judici\u00e1rio escutar as \u201cvozes da rua\u201d para decretar a responsabilidade penal de algu\u00e9m? 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